O TEMPO E A VITORIA

estava almoçando em um bar, a tv ligada mostrava um grupo de homens, sentados em poltronas, e  sendo orientados por uma bela loira, todos, falavam sobre futebol e defendiam suas opiniões como quem defende a própria vida, esbravejavam e ao mesmo tempo em que falavam da vida de outros atletas na mesma proporção falavam de coisas inúteis, olhei para o transito caótico e pros radares instalados e haviam cinco marronzinhos que, ao menos o tempo que observei, não pararam um minuto de escrever multas…..
já havia sofrido umas boas por ter vindo de trem e metro pro centro de sampa, e ali, aqueles marmanjos falando de futebol, e os outros que estavam assistindo, comentavam com mesmo entusiasmo o ocorrido no programa, me perguntei em silencio observando tudo aquilo, porra quais são mesmo os valores que nos norteiam, o criticado jogador de futebol, nascido numa favela carioca, hj ganha 300 e tantos mil reais por mês, e, estava no centro da atenção dos comentários, R$ 1.000.000.000.000,00 em impostos e esbravejam sobre atraso em treino, metade do oriente médio em ponto de ebulição e falam de capitão que foi sacado por técnico, um rodoanel que esta detonando a vida de centenas de pessoas pra desviar de uma pedreira, e gastam horas, analisando se foi ou não impedimento, consigo finalmente, ser atendido pela recepção de um centro hospitalar gigantesco daqui, aguardo minha consulta e uma tv mostra campanhas de saúde, do governo sem som, e outra noticias, um rapaz de gravata fica indiguinado com atrocidades e repete varias vezes, numa favela, uma briga ou algo assim, e reclama do ar condicionado ao vivo, soube que vai pra casa todos os dias de helicóptero, não suporta o transito paulistano, e duas senhoras a minha frente, comentam sobre se vai ou não passar novela, depois soube ser uma reprise de novela antes da novela atual, sou atendido, cirurgia confirmada, vou embora, por sorte ou horário metro vazio, em se tratando de sampa, ninguém esfregando em ninguém, já e lucro.
uma guria, de saia curta, não faz questão de esconder sua calcinha branca, uma senhora olha horrorizada uma dupla de homens de mãos dadas, não se beijavam, como ocorre normalmente no metro a noite, e sem ter paisagem, tento ver algo nas tvs e, comerciais e comerciais, ligo pra mari, conversamos bastante, rimos muito, com isso acabo de distraindo.
nem noto direito o rapaz pedindo ajuda pra ir pra algum lugar, ou noto qual produto e posto em meu colo a R$ 1,00 pra ajudar nas despesas, ou dou atenção as reclamacoes de horários de um e outro, mesmo ouvindo mari, reclamando que ainda morre sem permissão por causa do calor no DF, me pergunto se tbem Eu não estou mecanizado, tbem Eu não fui institucionalizado, programado pra fazer como numa matrix o que o meio me impõe, dou uma ordem absurda e mari prontamente obedece, não sem antes questionar, e essa atitude dela, de perguntar, de questionar, de querer algo a mais, me abre a mente. 
SIM, vivo neste meio, vivo  e faço parte de muita coisa, mas pela graça do universo, tbem vivo algo diferente, vivo em um mundo a parte, divertido, intenso, inusitado, excitante, penso em milena, que esta no trabalho esta hora e em breve corre pra faculdade, compro o chocolate, mas me recuso a ver datas de validade hehe, e acabo por sorrir, sinto que mari percebe meu sorriso e milhões de km longe de minhas garras ela tbem se anima, e conta nuances de seu dia agitado, prossigo meu caminho e continuo sorrindo, pessoas de translaio talvez querendo entender o porque,mas sem coragem de perguntar claro, e sigo meu dia, um dia quente e sem nuvens de uma tarde de inverno em sampa……..