Category: Gor e Filosofia

John Norman, um libertário

Segue abaixo um texto de 13 de outubro de 2010, escrito para o site Advocates of self Government (http://www.server.theadvocates.org/) por Bill Winter, o texto original não esta mais disponível mas existe uma copia em http://archive.li/nDXEp.

Alkania não compartilha de todas as opiniões postadas no texto, mas ele constitui uma fornte útil de referência sobre o autor das Crônicas da Contra Terra.

Boa leitura!

Master Christian Sword of GOR

São Paulo 19 de Abril de 2017

Em um primeiro olhar, o escritor John Norman é um libertário improvável. Suas novelas de fantasia / aventura sobre o planeta Gor – que venderam cerca de 12 milhões de cópias em todo o mundo – parecem endossar a instituição decididamente não libertária da escravidão. E uma versão particularmente não PC (Politicamente Correta) de escravidão, envolvendo homens fortes e bárbaros escravizando mulheres submissas. Como o site Salon.com comentou com desdém sobre os romances de Norman, Gor é um planeta “onde homens são homens e mulheres são escravas”.

Mas não confunda ficção com fato. Embora os livros de Gor se concentrem em machos alfa dominando mulheres dóceis, Norman (o pseudônimo de John Frederick Lange, Jr., um professor de Filosofia no Queens College, Nova York) entende a diferença entre fantasia e realidade.

Em seu livro de 1974, Imaginative Sex, Norman sugere que um de seus objetivos como escritor é permitir que a imaginação das pessoas se torne “sexualmente liberada”. Imaginative Sex incentiva casais (em casamentos monogâmicos) para usar “role-playing” e fantasia para apimentar suas vidas amorosas. Esses jogos devem ser seguros e consensuais, adverte Norman. “Ferir e humilhar os seres humanos, genuinamente e com malícia, é moralmente errado”, escreve ele. E enquanto alguns críticos alegam que os livros de Gor endossam estupro, Norman escreve: “A violação, como uma realidade sociológica, é comumente um ato feio, brutal, desagradável, doentio, horripilante e vicioso”. Em outras palavras, Norman traça uma linha nítida entre o retrato fictício do sexo não consensual em Gor – e sua realidade desagradável na Terra.

Tais comentários fazem pouco para aliviar os críticos de Norman, que denunciam os livros de Gor como um lixo mal escrito e misógino. Stan Nicholls, no St. James Guide To Fantasy Writers (1995), disse que Norman é “o autor mais vilipendiado da história da ficção fantástica”. Julia Gracen, no site Salon.com (18 de maio de 2000), disse que a série Gor é “hilariantemente bombástica”, e as “linhas históricas, especialmente nos livros a partir de meados da década de 1970 posteriores, são freqüentemente interrompidas por longas passagens de repetição filosófica” sobre como as mulheres Deve procurar “total obediência a um homem magistral”. Isto é, ela declara secamente que os livros de Gor “não são boa literatura”.

Outros críticos discordam e sugerem que os romances de Norman são uma sátira cuidadosamente construída ou um comentário social farpado. Por exemplo, o site Enotes.com especula que o tema mestre / escrava da série Gor é tão exagerado que pode ser “uma sátira selvagem sobre toda a noção de determinismo biológico”. Outros críticos teorizam que os livros são uma reação aos excessos do feminismo dos primeiros anos da década de 1970, ou um ataque ao estilo Camille Paglia ao “politicamente correto”.

Afinal, o que é este Gor que provocou tanto debate? É uma série de romances de fantasia, ricamente realizados – escritos na tradição de Edgar Rice Burroughs – sobre Tarl Cabot, um terrestre que é transportado para Gor, um planeta do outro lado do sol. Em Gor, onde a civilização está presa a um nível bárbaro greco-romano, estados guerreiros lutam entre si e lutam contra alienígenas exóticos. E nós mencionamos as meninas escravas?

Norman escreveu 26 romances de Gor, de Tarnsman de Gor (1966) a Testemunha de Gor (2002). Dois dos livros de Gor foram transformados em filmes de baixo orçamento : Gor (1987) e Outlaw of Gor (1987). Em seu próprio nome, Norman, que tem um Ph.D em Filosofia de Princeton, também escreveu O Paradoxo de Cognição: Uma Investigação Sobre as Reivindicações da Filosofia (1970) e editado CI Valores Lewis e Imperativos: Estudos em Ética (Stanford, 1969) ).

Enquanto os livros de Gor eram enormemente populares na década de 1970 – e foram até traduzidos em 10 línguas – eles estavam fora de impressão no final da década de 1980. Fãs disseram que os livros foram vítimas da onda “Politicamente Correta” e acusaram os editores de se curvarem às demandas das feministas e dos censores. O próprio Norman disse que estava “na lista negra” pela indústria editorial.

Mas Gor não morreria. Em um reavivamento facilitado pela Internet, os fãs construíram sites louvando a série, e cópias de segunda mão dos romances vendidos por US $ 100. No final da década de 1990, vários dos primeiros livros de Gor estavam de volta e uma revista, Gor Magazine, foi lançada. Alguns aficionados até começaram a viver o “estilo de vida Gorean”, praticando role-playing, e a escravidão consensual. Em 2001, New World Publishers foi formado para reimprimir todas as novelas de Gor.

Mas os anos no deserto – rejeitados pelos editores e desprezados pelas organizações de ficção científica – deixaram suas cicatrizes. Em 2001, quando Norman não foi autorizado a falar na 59ª Convenção Mundial de Ficção Científica na Filadélfia, ele escreveu uma carta (impressa em Locus Online, 14 de outubro de 2001) acusando os organizadores de convenções de serem “acríticos, presunçosos, excessivamente emocionais e portadores de uma mentalidade ingenuamente Politicamente Correta “.

Uma década de tal “censura” pode ter levado Norman a se tornar um libertário. Nessa mesma carta, Norman disse que estava ansioso para falar na convenção sobre quase qualquer assunto. “Eu sou um libertário … e eu ficaria feliz em discutir as deficiências e os perigos demonstrados das posições estatistas”, escreveu ele. “Eu teria ficado feliz em falar sobre a dinâmica social, o estatismo, o coletivismo, o autoritarismo, a moralidade altruista-coletivista … os valores de um mercado livre, a utilidade dos processos de mão invisível, e tal”. Os organizadores da convenção se mostraram impassíveis e recusaram-se a convidar Norman.

Tal é a vida do criador de Gor; Louvado como um visionário sexual por alguns, desprezado como um homem das cavernas que odeia as mulheres por outros – mas sempre disposto a ir às muralhas, espada retórica na mão, para lutar contra as hordas bárbaras de “puritanos e censores, excluidores, hipócritas, E mentirosos. ”

– Bill Winter

“Eu sou um libertário, e não um estabelecimento neosocialista.” – John Norman em uma carta à 59ª Convenção Mundial de Ficção Científica, impressa em Locus Online (14 de outubro de 2001)


Honra x Intergridade

Por Master Christian Sword of GOR <chistiansword@gmail.com>

 

Conceitos muito próximos, Honra e Integridade muitas vezes se confundem.

Além das dificuldades presentes na conceituação diferencial cada conceito ainda apresenta múltiplos significados dependendo do contexto.

Honra pode apresentar semântica diferente quando usada dentro do contexto sexual (tais como virgindade ou monogamia); no contexto religioso (prestar culto ou oferecer primazia); no contexto financeiro (pagar uma dívida), etc…

Integridade por sua vez também pode ter semânticas diferentes quando jusada em contextos específicos tais como na tecnologia de informação (integridade de dados), na integridade física (ausência de dano), etc…

Para os fins dessa reflexão iremos nos concentrar em honra e integridade no sentido do comportamento e dos valores humanos.

A partir desse referencial podemos iniciar a nossa reflexão.

Algumas conceituações de honra são:

 

Honra é um princípio de comportamento do ser humano que age baseado em valores bondosos, como a honestidade, dignidade, valentia e outras características que são consideradas socialmente virtuosas.”

A honra é um atributo humano que é aplicado aos indivíduos que se comportam estritamente de acordo com as normas morais e sociais, aceita e considerado como correto na Comunidade ou na sociedade em que vive.”

a palavra honra pode ser usado como sinônimo de boa reputação”

“A honra é um conceito abstrato que envolve uma certa quantidade de dignidade e respeito à pessoa que possui-lo. Em teoria, é atribuído aos indivíduos um determinado valor e o status com base em uma honra que é obtida através da harmonia dos chamados códigos de honra.”

“Honrado é julgamento que determina o caráter de uma pessoa exatamente: se ou não a pessoa reflete honestidade, respeito, integridade ou justiça.”

“Dr. Samuel Johnson, em A Dictionary of the English Language (1755), definia honra como tendo vários sentidos, o primeiro de que eram “nobreza de alma, magnanimidade, e um desprezo a maldade”

 

Por outro lado o conceito de integridade pode ser encontrado como:

 

“Integridade é um substantivo feminino com origem no latim integritate que significa a qualidade ou estado do que é íntegro ou completo. É sinônimo de honestidade, retidão, imparcialidade.

Em sentido figurado a integridade pode ser descrita como honradez, pureza ou inocência. Pode designar uma atitude de plenitude moral, sendo a característica de uma pessoa incorruptível. “

“Integridade vem do latim integritate, significa a qualidade de alguém ou algo a ser íntegre, de conduta reta, pessoa de honra, ética, educada, brioso, o que é íntegro, é justo e perfeito, é puro de alma e de espírito.”

“Um ser humano íntegro não se vende por situações momentâneas, infringindo as normas e leis, prejudicando alguém por um motivo fútil e incoerente. A moral de uma pessoa não tem preço e é indiscutível.”

“Particularidade ou condição do que está inteiro; qualidade do que não foi alvo de diminuição; inteireza.”

“Condição do que não sofreu alteração; que não foi quebrado nem atingido; que está ileso: integridade física ou mental.”

“Característica da pessoa que é íntegra; qualidade de quem é honesto; que é incorruptível.”

“Cujos comportamentos ou ações demonstram retidão; honestidade” 

“integridade vem do latim integritate e representa a qualidade do íntegro, fundamentada pela retidão e imparcialidade.”

“Para reforçar o conceito de integridade é necessário entender também o significado da palavra íntegro. Do latim integru, ser integro significa ser inteiro, completo, perfeito, exato, imparcial, brioso, inatacável.”

 

Jerônimo Mendes sugere algumas reflexões para avaliar a integridade de um indivíduo:

 

  • O que você faz na prática está de acordo com o seu discurso?
  • O seu comportamento em casa é muito diferente do comportamento na empresa?
  • Você odeia o chefe, mas sorri e distribui elogios quando ele aparece?
  • Os filhos dos outros são sempre melhores do que os seus?
  • O cônjuge tem recebido a atenção, o apoio e o valor que merece?
  • Você é do tipo “faça o que eu digo”, mas não faça o que eu “faço”?
  • Você consegue ouvir um pouco mais do que fala, além de respeitar o ponto de vista alheio?

 

E conclui

 

“Integridade é uma virtude desafiadora, difícil de ser praticada num mundo repleto de valores equivocados, onde a importância do ter alguma coisa é maior do que a importância do ser alguma coisa. Na prática, integridade se consolida somente quando os seus valores estão em consonância com a sua conduta.”

 

Dessa forma é possível verificar que integridade em honra muitas vezes são usadas como sinônimos. Mesmo quando não são vistas como sinônimos a integridade e a honra aparecem relacionadas como nas conceituações abaixo

 

Honra é o sentimento íntimo de dignidade que decorre da prática de atitudes íntegras, levando uma pessoa a procurar manter-se merecedora da consideração das demais pela prática diligente de tais atitudes.”

“Pessoas que cultivam a honra são honestas, dignas e merecedoras da confiança. Acima de tudo, elas têm integridade, que é a base de todas as demais virtudes. E integridade, por sua vez, traz em si a retidão e a imparcialidade.”

 

Assim, realmente parece ser consenso que a integridade é condição para a honra.

A partir das observações acima existem quatro reflexões a se fazer sobre a relação entre honra e integridade.

 

  • Ambas Honra e Integridade dependem essencialmente de coerência. A coerência entre discurso e ação no caso da honra e entre os valores e a viência no caso da integridade. Quem diz uma coisa e faz outra, quem vive uma coisa e crê em outra, não será nem honrado nem integro.
  • Embora habitualmente os conceitos de Honra e Integridade estejam apoiados nos valores coletivos de cada cultura ou ambiente é perfeitamente possível ser honrado usando como referência valores pessoais, desde que cada um seja claro com relação a que escala de valore está utilizando.
  • A Honra está mais conectada aos comportamentos públicos de cada indivíduo frente a sua comunidade e aos ambientes nos quais convive.
  • A integridade diz respeito principalmente aos comportamentos privados, aos valores pessoais pelos quais cada pessoa se orienta.

 

Finalmente apresentamos algumas dicas para manter a Honra e a Integridade que apareceram na pesquisa para essa reflexão:

 

  • Faça escolhas conscientemente
  • Escolha de maneira consciente seus objetivos, de acordo com seus valores, e paute-se por eles.
  • Tenha objetivos. Os objetivos dão significado às nossas ações, e o compromisso em torná-los realidade gera a energia necessária para essa realização
  • Evite julgar nem emitir comentários baseados em avaliações, sem que existam fatos para respaldá-los.
  • Busque utilizar toda experiência como aprendizado.
  • Só prometa aquilo que tiver condições de cumprir. E, se tiver prometido e não puder de cumprir contate, o quanto antes, a pessoa com quem estiver comprometido e informe-lhe o porquê de você não poder cumprir o prometido, desculpe-se pelo transtorno causado e tome as providências que estiverem ao seu alcance para minimizar eventuais prejuízos que a pessoa possa ter.

 

São Paulo, 07 de Abril de 2017

 

Referências

 

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Honra

https://edukavita.blogspot.com.br/2013/09/honra.html

https://www.dicio.com.br/honra/

https://www.significados.com.br/honra/

https://www.significados.com.br/integridade/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Integridade

https://www.dicio.com.br/integridade/

http://www.jeronimomendes.com.br/o-que-e-integridade/

http://gcnoticias.com.br/colunistas/honra-e-integridade/1058016