Ser uma kajira não é para qualquer uma. É preciso ser uma mulher muito forte para vencer as pressões da sociedade ocidental do século XXI e ter a coragem de reconhecer a sua natureza mais íntima, poucas mulheres têm os recursos pessoais, sejam de força, de auto-conhecimento ou de coragem para fazer isso.

Ser kajira, mulher submissa, que vive a sua natureza de maneira plena envolve uma grande quantidade de iniciativa, força interior e criatividade. Pode parecer uma incoerência ser submissa e ao mesmo tempo ser vivaz, criativa e proativa, especialmente em um contexto cultural onde a cobrança sobre a mulher é que ela seja independente, auto-suficiente, e nunca, em hipótese alguma, se permita entregar a um homem. No entanto, a verdade é que a natureza da mulher está dentro dela, nos seus instintos, pronta para se manifestar sempre que tiver a oportunidade.

Uma das evidências que se tem da necessidade instintiva da mulher por viver o seu papel natural sob o comando de um homem é a comunidade das danças de salão.

As danças de salão modernas tem o seu início na década de 1920, desde o seu início a comunidade da dança de salão é objeto de desejo de muito mais mulheres do que de homens, e é frequente que nos seus bailes a maioria feminina apresente grande demanda por “bons cavalheiros”.

O que mantém o interesse de tantas mulheres por essa arte é exatamente a possibilidade de, pelo menos por um breve espaço de tempo, viver a sua natureza submissa sem o julgamento social, e muitas vezes sem ter de lidar com as próprias contradições.

As danças de salão são marcadas por duas características centrais: a ausência de coreografia e a existência dos papéis fixos de cavalheiro e dama.

A ausência de uma coreografia pré-estabelecida exige que, para que a dança funcione, exista alguém responsável por liderar e alguém que é conduzido.

Na dança de salão o papel de conduzir é executado pelo Cavalheiro, na maioria das vezes por um homem, e o papel de conduzido é executado pela Dama, na maioria das vezes uma mulher. Pode acontecer de homens assumirem o papel de Dama ou de mulheres assumirem a condução sendo neste caso o Cavalheiro, mas os papéis são fixos e se cada um souber executar a sua parte a dança funciona.

Acontece que existe uma diferença entre funcionar e ser ótima, e para que a dança seja ótima além dos papéis de Cavalheiro e Dama existe mais um papel importante, o papel da Bailarina.

A Bailarina é aquela que cria, que enfeita, que traz a sua força, beleza, sensualidade e elegância para a Dama. A bailarina tem iniciativa, criatividade, graça, e é capaz de encaixar tudo que tem dentro da condução do Cavalheiro.

A Dama sem a Bailarina segue, mas é apagada, sem vida. Funciona mas não deslumbra. A Bailarina sem a Dama aparece… mas não funciona!

A beleza da dança acontece exatamente quando a Dama tem o desejo real de ser conduzida, a sensibilidade para perceber a condução, e a Bailarina executa os movimentos indicados pelo Cavalheiro com a sua própria beleza, sensualidade e criatividade e dessa forma o prazer máximo dos dois é atingido. E tudo isso só funciona por que nesse pequeno espaço da vida cada um está tendo a liberdade para viver a sua própria natureza.

A dança é uma metáfora para a vida! É uma metáfora para o Estilo de Vida Goreano.